Coronavírus: Guedes diz que país pode imprimir dinheiro contra desemprego

Declaração feita a parlamentares é uma possibilidade avaliada pelo ministro caso haja desemprego em massa e inflação próximo de 0%

atualizado 30/04/2020 16:54

Foto: Rafaela Felicciano/Metrópoles

O ministro da Economia, Paulo Guedes, falou nesta quinta-feira (30/04) em imprimir dinheiro como uma das formas de enfrentamento à crise imposta pelo coronavírus. A opinião chama a atenção porque Guedes é um expoente da escola liberal de economia, que tem como um de seus dogmas a redução do Estado e dos gastos públicos. Para o ministro, porém, “bons” e “bem informados” economistas não podem ter dogmas e precisam estar atentos a “todas as possibilidades”

“O Banco Central pode, sim, emitir moeda e, pode sim, comprar título, e aí você pode monetizar a economia sem que haja impacto inflacionário”, disse Guedes em audiência na Comissão Mista de Acompanhamento das Medidas Relacionadas ao Coronavírus no Congresso Nacional.

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A impressão de dinheiro, porém, ainda é uma possibilidade distante na cabeça do ministro. Segundo ele, poderá ocorrer se houver a combinação de desemprego em massa, inflação zerada ou quase colapso dos juros que impeça a venda de títulos a longo prazo. Nesse caso, segundo Guedes, “existe a armadilha da liquidez”.

Sem esquecer das reformas

Apesar da fala sobre emitir moeda, Guedes também focou nas reformas que o governo vinha promovendo e na necessidade de não perder a austeridade de vista. “Nós sabemos que o mundo espera que as reformas prossigam e que a gente tenha austeridade do ponto de vista de entender que em uma crise não pode faltar dinheiro para a saúde. Mas isso não pode virar uma farra eleitoral”, avaliou.

Lula e Guedes

Quem tem pedido que o governo imprima dinheiro para lidar com o coronavírus é o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em entrevista na última quarta-feira (29/04) a uma rádio, ele voltou a bater na tecla.

“Sou favorável que o Brasil possa rodar dinheiro, aumentar a massa monetária do país para que as pessoas tenham como sobreviver”, defendeu.

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