Fraga defende que reforma da Previdência seja votada no ano que vem

Parlamentar acredita que a atual proposta está desgastada e que, dificilmente, deputados que não foram reeleitos estejam dispostos a votar

atualizado 30/10/2018 16:30

Michael Melo/Metrópoles

O deputado Alberto Fraga (DEM-DF), um dos conselheiros do presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL), defende que a Previdência Social deve passar por uma reforma apenas com o novo governo. Em entrevista nesta terça-feira (30/10) na Câmara, o parlamentar afirmou que a atual proposta apresentada pelo presidente Michel Temer (MDB) está desgastada e que, dificilmente, deputados que não foram reeleitos na eleição deste ano estarão dispostos a votar a proposta.

“A Previdência está por demais discutida. É verdade [que o texto] que melhorou muito, a vista do que quando ele chegou na Casa. Mas eu duvido muito que, com o texto atual, a gente avance em alguma negociação. Falo pelo clima que estou sentido pelos colegas. Acho muito difícil”, declarou Fraga.

A derrota de parlamentares nas urnas nesse ano pode ser usada como argumento por alguns deputados para evitar a votação da reforma da Previdência. Segundo Fraga, há quem tema ficar com a pecha de “retaliação” por não conseguir se reeleger.

“O texto que aí está é por demais conhecido e não houve aceitação e a aprovação por parte dos parlamentares. A gente falar em um novo texto é impossível. Se a gente falar em um novo texto, é claro que a responsabilidade deve ficar com o novo Congresso, com os parlamentares que foram eleitos. (…) Os deputados que não se reelegeram podem, de repente, receber a pecha de ser uma retaliação. Isso é muito ruim, pois a vida pública continua. Acho mais prudente a gente preparar um outro texto para o novo governo, mais adequado e duradouro”, avaliou o deputado do DF.

O entendimento de Fraga é parecido com o do deputado Julio Delgado (PSB-MG). “Essa reforma está enterrada. Não dá para ressuscitar e aproveitar um ponto sequer. É preferível que o novo parlamento discuta e aprove um novo texto. Não vamos criar chifre na cabeça de burro porque ele não prosperará”, acrescenta. Alex Manete (PPS-SP) também é contrário à aprovação. “Não adianta votar. Não podemos fazer um remendo, a reforma tem que ser firme e sólida, feita pelo novo governo”, aponta.

Já o deputado federal Beto Mansur (MDB-SP) afirma existir margem para a aprovação ocorrer até o final da legislatura. “Conversei com o presidente [Michel Temer] ontem [segunda] e ele comentou que, se o presidente eleito [Jair Bolsonaro] quiser votar, vamos trabalhar nesse sentido”, rebateu. Segundo Mansur, faltam 70 votos para uma eventual aprovação da reforma, pela necessidade de 308 votos em dois turnos.

Encontro
Jair Bolsonaro deve se reunir na semana que vem com o presidente Michel Temer para discutir o tema. Em entrevista à RecordTV nesta segunda-feira (29), um dia após ser eleito presidente, o peesselista afirmou que a aprovação do tema “evitaria problemas para o futuro governo”.

Alberto Fraga é um dos nomes cotados para compor a equipe mais próxima do futuro presidente. Ainda não há, no entanto, uma definição sobre qual cargo ele deve ocupar no governo de Jair Bolsonaro. Na eleição deste ano, Fraga concorreu ao governo do Distrito Federal. Ficou em sexto lugar, com 5,88% dos votos válidos.

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