Espírito Santo quer processo contra parlamentares que invadiram hospital

Um grupo formado por deputados é acusado de invadir o Hospital Dório Silva, que fica no município de Serra (ES)

atualizado 15/06/2020 20:05

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O Ministério Público recebeu nesta segunda-feira (15/05) uma notícia de crime, enviada pela Procuradoria-Geral do Estado (PGE), contra os deputados que foram ao Hospital Dório Silva, que fica no município de Serra, região metropolitana de Vitória, após a sugestão dada pelo presidente da República, Jair Bolosonaro, para que pessoas tentem entrar nas unidades de saúde e filmar os leitos durante esta pandemia do coronavírus.

O grupo de parlamentares, composto por Vandinho Leite (PSDB), Danilo Bahiense (PSL), Capitão Assumção (Patriota), Lorenzo Pazolini (Republcanos), Torino Marques (PSL) e Carlos Von (Patriota), é acusado de invadir o hospital na tarde de sexta-feira (12/03).

De acordo com a “notícia de crime”, os parlamentarem teriam cometido “invasão das instalações do Hospital Dório Silva, referência no tratamento de pacientes com Covid-19”. Os deputados também teriam transitado entre as alas do local, inclusive no setor de isolamento, sem a observância dos protocolos sanitários. Assim, teriam provocado risco de contaminação de servidores e pacientes, além dos próprios parlamentares.

O estado pede à procuradora de Justiça que aprecie os fatos que poderiam ser enquadrados no artigo 268 do Código Penal: “Infringir determinação do poder público, destinada a impedir introdução ou propagação de doença contagiosa”.

No sábado, o Metrópoles divulgou uma nota da Secretaria de Saúde, na qual a pasta destacava que “é inadmissível esse tipo de atitude, no momento em que o Espírito Santo, o país e o mundo enfrentam a mais grave crise de saúde em nossa geração. Mais grave é o fato de que essa atitude foi insuflada por uma declaração irresponsável do chefe da nação”.

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Versão dos deputados

O jornal Folha Vitória conseguiu contato com os parlamentares, que explicaram a motivação.

Danilo Bahiense

O deputado Danilo Bahiense disse, por meio de nota: “O parlamentar Danilo Bahiense utilizou dos EPIs e de todas as medidas de assepsia orientadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

Ao longo deste mandato, o deputado tem realizado fiscalizações, direito e dever do político garantidos por lei, não só em hospitais, como também em delegacias da Polícia Civil, batalhões da Polícia Militar e unidades prisionais, prezando por melhores condições e com produção de relatórios com sugestões de soluções.

Ressalta que não houve qualquer tipo de invasão à referida unidade de saúde, havendo um pronto recebimento dos valorosos servidores”.

Capitão Assumção:

“Cada um tem uma forma de atuar. Essa notícia de crime é baseada na nota emitida pela Secretaria de Saúde. Mas, não teve nada disso de invasão. Lá no Dório Silva fomos muito bem recebidos, fomos tratados com muita educação e recebemos denuncias sérias.

Os deputados não tiveram acesso a áreas restritas e respeitamos isso. Fizemos a visita de forma respeitosa, todos os deputados trajando o que poderia e fizemos o que está dentro das nossas funções constitucionais.

E todo mundo sabe que defendo o Presidente Bolsonaro 24 horas por dia, mas a visita não teve nada a ver com a fala dele no dia 11. Essa ação já estava combinada há mais de uma semana e cumprimos o nosso papel que é de fiscalizar o Executivo”.

Lorenzo Pazolini

“Na última sexta-feira (12/06) o Deputado Lorenzo Pazolini e outros parlamentares estiveram no Hospital Estadual Dório Silva, após receberem inúmeras denúncias sobre as condições de trabalho do local. Os deputados cumpriram um de seus deveres primordiais, que de acordo com inciso XIII, do artigo 56, da Constituição Estadual do Espírito Santo, é fiscalizar e controlar os atos do Poder Executivo, inclusive os da administração indireta.

Além de haver indícios de corrupção no Dório Silva, houve a constatação de que os colaboradores não receberam EPI’s adequados para o trabalho. Também foi verificada a ausência de medicação adequada à sedação de pacientes.

Ao contrário do que foi dito, covardemente, não houve invasão, tendo em vista que os parlamentares se identificaram e tiveram a entrada franqueada à Unidade Hospitalar, sendo inclusive acompanhados pelos servidores do Hospital, com quem tiveram intenso diálogo sobre os problemas que estão passando. Além disso, não houve quebra de protocolos sanitários, pois foram adotadas todas as medidas de segurança e respeitados os protocolos da Organização Mundial de Saúde (OMS) e Anvisa. Importante também deixar claro que ninguém entrou em UTI’s, tampouco nas salas vermelhas.

Vale ressaltar que não foi a primeira vez que houve fiscalização por parlamentares. Pazolini, por exemplo, desde que assumiu o mandato recebe denúncias e realiza visitas de inspeção, apresentando sempre relatórios ao final para que sejam tomadas providências”.

As assessorias de todos os deputados foram procuradas. O espaço está aberto a todos os parlamentares envolvidos.

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