Aras alega “desconforto” ao ter sido citado por Bolsonaro para vaga no STF

Presidente poderá indicar dois nomes para a Corte e disse que o procurador-geral era opção para uma "terceira vaga"

atualizado 30/05/2020 11:14

Jair Bolsonaro e Augusto ArasAndré Borges/Especial para o Metrópoles

O procurador-geral da República, Augusto Aras, manifestou desconforto após ter sido citado pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido), durante transmissão ao vivo na última quinta-feira (28/05), como um dos cotados para assumir uma eventual terceira vaga para o Supremo Tribunal Federal (STF). Até o fim do mandato, o chefe do Executivo poderá indicar dois magistrados para integrar a Corte.

Em nota, Aras afirmou que tem compromisso com a atuação na chefia do Ministério Público Federal (MPF) e que aceitou o convite para a PGR com o propósito de “servir à pátria”.

Augusto Aras foi o primeiro nome de fora da lista tríplice, formada por meio da votação entre os procuradores da República, a chefiar a instituição. O presidente Jair Bolsonaro valeu-se da prerrogativa de indicar um nome à sua escolha, embora fosse um consenso entre todos os ex-presidentes o respeito à lista.

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Está nas mãos de Aras opinar sobre duas investigações que envolvem diretamente o presidente ou pessoas ligadas a ele. Uma delas é o inquérito que apura a acusação feita pelo ex-ministro Sergio Moro de que Bolsonaro pretendia interferir politicamente na Polícia Federal, que envolveu um pedido de apreensão do celular do chefe do Executivo.

O outro é o processo sobre a disseminação de notícias falsas e ameaças contra ministros do STF, do qual foram alvo empresários, comunicadores, parlamentares e influenciadores digitais, todos bolsonaristas.

No dia seguinte à proposta de indicar Aras para o STF se tivesse direito a um terceiro nome para a corte, Bolsonaro se manifestou negando que pretenda dar uma vaga ao procurador-geral.

Leia a nota completa:

“O procurador-geral da República, Augusto Aras, manifesta seu desconforto com a veiculação reiterada de seu nome para ocupar uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF). Conquanto seja uma honra ser membro dessa excelsa Corte, o PGR sente-se realizado em ter atingido o ápice de sua instituição, que também exerce importante posição na estrutura do Estado.

Ao aceitar a nomeação para a chefia da Procuradoria-Geral da República, não teve o atual PGR outro propósito senão o de melhor servir à Pátria, inovar e ampliar a proteção do Ministério Público Federal e oferecer combate intransigente ao crime organizado e a atos de improbidade que causam desumana e injusta miséria ao nosso povo.

O PGR considerar-se-á realizado se chegar ao final do seu mandato tão somente cônscio de haver cumprido o seu dever.

Augusto Aras

Procurador-geral da República”

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