Doria diz que Zambelli age como Mãe Dináh e trata PF como polícia privada

Parlamentar levantou suspeita de corrupção em São Paulo durante o combate à Covid-19, doença causada pelo novo coronavírus

atualizado 10/06/2020 13:11

Hugo Barreto/Metrópoles

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), e a deputada federal Carla Zambelli (PSL-SP), uma das principais aliadas do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), tiveram um embate após a parlamentar levantar suspeita de corrupção no estado durante o combate à Covid-19, doença causada pelo novo coronavírus.

O pano de fundo foi a  investida da Polícia Federal nesta quarta-feira (10/06) contra o governador do Pará, Helder Barbalho (MDB). Lá, a PF apura fraudes na compra de respiradores pulmonares pelo Governo do Estado do Pará. Agentes fizeram buscas na casa do governador, no Palácio dos Despachos, sede do governo, e nas secretarias de Saúde, Fazenda e Casa Civil.

Zambelli escreveu no Twitter. “Mãe Zambelli acerta mais uma vez. Prevejo ações da PF em. outros estados, como SP, por exemplo”, publicou. A parlamentar já foi alvo de críticas por ter adiantado a operação contra o governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC).

Horas depois, ao abrir a coletiva de imprensa para atualizar medidas e os casos de Covid-19, Doria subiu o tom. “Zambelli cumpre papel de mãe Dináh. Trata a PF como polícia privada. Ela não tem cargo nem mandado na PF,  muito menos para ser porta voz ou antecipar atos”, afirmou.

O governador completou. “Se ela estiver exercendo [esse papel], estamos falando de uma policia política. Quero registrar que São Paulo tem todos os seus atos fiscalizados pelos órgãos controladores. São Paulo não precisa de vitrola parlamentar de uma deputada que precisa engraxar as botas do presidente. São Paulo pauta sua ações pela transparência”, concluiu.

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Polêmica

A deputada antecipou em maio que governadores seriam alvos de operações da PF nos próximos meses. A parlamentar disse, em entrevista à Rádio Gaúcha, que as operações da PF estavam para sair, “mas não saíam”. E anunciou, em seguida, o suposto “Covidão”.

“Não sei qual vai ser o nome que eles [PF] vão dar… mas já tem alguns governadores sendo investigados pela Polícia Federal”, disse Carla Zambelli.

O comentário foi dado um dia antes de a PF deflagrar a Operação Placebo, que atinge o governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC), antagonista do atual presidente.

A operação no Rio de Janeiro ocorreu em meio a um inquérito que investiga suposta interferência política de Bolsonaro na Polícia Federal. A acusação foi feita por Sergio Moro, que deixou o cargo de ministro da Justiça no dia 24 de abril.

Durante a entrevista, Zambelli criticou ainda o governador do Rio. Ela disse que, desde janeiro de 2019, segundo escutou de um colega, Witzel pensa em derrubar o atual presidente.

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