Policial entra no Torto e expõe falha na segurança de Bolsonaro

O agente da PF Heitor Camargo de Oliveira Júnior estaria autorizado apenas ao trabalho de proteção de autoridades estrangeiras

atualizado 01/01/2019 13:43

Ian Ferraz/Metrópoles

Durante reunião com integrantes da equipe do futuro governo federal, um policial não autorizado conseguiu entrar na Granja do Torto, residência oficial que abriga o presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL), em Brasília, até ele assumir a Presidência da República e se mudar para o Palácio da Alvorada.

A informação é do site O Antagonista, que, em primeira mão, obteve um memorando interno da Polícia Federal que relata o episódio e a consequente falha na proteção a Jair Bolsonaro.

“Um policial que não fazia parte da segurança do presidente se identificou na entrada e conseguiu entrar na residência, sem autorização […] sendo certo que o policial ficou tentando tirar foto com o presidente”, relata no documento o delegado federal Alexandre Ramagem, que coordena a segurança de Bolsonaro.

Veja o documento: 

Reprodução

Questionado por Ramagem, o policial se identificou como o agente da PF Heitor Camargo de Oliveira Júnior, que estaria habilitado apenas para segurança de autoridades estrangeiras. A conduta do agente foi considerada “grave”, motivando pedido de afastamento e abertura de processo disciplinar.

Grupo terrorista
A posse de Jair Bolsonaro foi classificada como uma operação de grau máximo de segurança: além de atiradores de elite no alto dos prédios da Esplanada dos Ministérios, o presidente Michel Temer autorizou a instalação pela área de 12 bases para artilharia antiárea, que serão usadas, como último recurso, caso aeronaves classificadas como hostis invadam a zona de segurança delimitada na Esplanada para a posse.

Vítima de um atentado com faca durante a campanha eleitoral, Bolsonaro também estaria ameaçado por um grupo terrorista que atua no Distrito Federal, conforme o Metrópoles revelou em primeira mão. Na manhã desta segunda-feira (31), as polícias Federal e Civil do DF cumpriram mandados de busca e apreensão em endereços supostamente ligados a integrantes do grupo. Foi encontrado manual de como fazer bombas em um dos dois endereços alvos da operação.

Os investigadores miram o grupo intitulado Sociedade Secreta Silvestre, que assumiu ter confeccionado um artefato explosivo e colocado o dispositivo próximo a uma igreja de Brazlândia na véspera do Natal (24/12). A organização fez ameaças terroristas à posse do presidente eleito.

A operação deflagrada pela PF e PCDF cumpre sete mandados de busca e apreensão no DF, em Goiás e São Paulo, expedidos pela Justiça do DF. Um dos alvos não foi encontrado no outro endereço de Brasília. O suposto grupo mantém um site chamado Maldição Ancestral, no qual diz estar “em tocaia terrorística contra o progresso humano”. Na página da internet, são disseminadas diversas mensagens de ódio e pregados “o caos e o terror no seio da civilização”.

Chamou a atenção da Polícia Civil, que abriu investigação logo depois do Natal, o fato de o grupo ter assumido a autoria do atentado em Brazlândia, inclusive por postar fotos do artefato explosivo antes mesmo de a organização colocar o dispositivo ao lado da igreja. Além de Bolsonaro, eles estariam mirando na futura ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, Damares Alves, e o presidente da Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), o cardeal dom Sérgio da Rocha.

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