Vídeo: “As pessoas estão morrendo na rua, afogando no seco”, diz repórter sobre Belém

Relato cortante de Ullisses Campbell, da revista Época, detalha como a Covid-19 afetou pessoas em todos os estratos da sociedade no Pará

atualizado 08/05/2020 13:27

Morte por coronavírus em BelémRaimundo Paccó/ Material cedido ao Metrópoles

Com aproximadamente seis mil contaminados e 400 mortos, vítimas do novo coronavírus, Belém está devastada. Uma das primeiras cidades brasileiras a decretar o lockdown, a capital do Pará amarga a possibilidade de não ter a festa mais tradicional da região, o Círio de Nazaré, que arrasta mais de 5 milhões de fiéis católicos. “As pessoas estão morrendo no meio da rua, afogando no seco.”

O relato é do repórter Ullisses Campbell, que em parceria com o repórter fotográfico Raimundo Paccó, fez extensa reportagem para a revista Época desta semana, contando como a Covid-19 afetou a população em todos os estratos da sociedade. Pobres têm morrido sem assistência na cidade em colapso e os ricos empresários que ignoram a pandemia acabam contaminados e voam para São Paulo, em UTIs aéreas, em busca de salvação.

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Com o slogan “Fique em Casa pelo Círio”, paraenses fervorosos na fé cristã tentam conter a disseminação do novo coronavírus na esperança de que um dos maiores eventos católicos do mundo não seja proibido pelas autoridades de saúde. Porém, as ruas continuam cheias de transeuntes, que ignoram o isolamento em meio à pandemia.

Em relato cortante, Campbell relembra de todas as atrocidades que presenciou na cidade onde ele nasceu, foi criado e deu início à vida de jornalista. “Cobri o massacre de Eldorado dos Carajás. Vi crianças sendo mutiladas em olarias nas ilhas de Belém. Mesmo assim, as imagens que eu presenciei agora em Belém me deixaram muito mais chocado”, lamenta o repórter.

Dom Alberto Taveira Correa, arcebispo de Belém e presidente do Conselho Executivo do Círio de Nazaré, rechaça a possibilidade de não ocorrer o Círio este ano. “Estamos trabalhando com todas forças para fazer uma festa bonita para os paraenses. Mas vamos procurar as autoridades para decidirmos juntos”, detalhou à revista.

Enquanto a cidade amarga em medo e indecisões, um trio de empresários do Pará chama a atenção por ignorar os riscos da Covid-19 e acabar entrando nas estatísticas de contaminados pelo vírus. Entretanto, na contramão das pessoas que morrem nas ruas, em portas de hospitais, à espera de leitos e respiradores, os três escaparam do caos em UTIs aéreas, em direção a conceituados hospitais particulares de São Paulo.

Jonas Rodrigues, de 41 anos, um dos donos da maior rede de supermercados do estado, o Grupo Líder; José Santos de Oliveira, de 77,  empresário supermercadista; e Kleber Ferreira Menezes, também empresário, estavam em estado grave quando fizeram a viagem. Antes disso, porém, tiveram contato com dezenas de pessoas no cotidiano paraense. O custo médio para levar um paciente entubado da capital do Pará até São Paulo custa aproximadamente 120 mil reais. Um respirador gira em torno dos R$ 70 mil.

* Leia as reportagens completas na revista Época:

Círio de Nazerá pode ser cancelado por causa do coronavírus

Coronavírus: ricos de Belém escapam em UTI aérea de colapso nos hospitais da cidade

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