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Em menos de dois meses, três pacientes morreram à espera de exames no DF

Casos foram registrados nos hospitais de Santa Maria e do Gama. Mais de 2 mil pessoas aguardam para realizar uma endoscopia na rede pública

ÉDER OLIVEIRA ÉDER OLIVEIRA

atualizado 19/09/2018 15:24

Em menos de dois meses, três pacientes que estavam internados na rede pública de saúde do Distrito Federal morreram à espera de exames. Todos os casos aconteceram na Região Sul, que compreende as regiões administrativas de Santa Maria e do Gama. O primeiro, em agosto, aguardava uma endoscopia. Outros dois, em setembro, morreram à espera de uma colonoscopia.

A informação consta em memorandos da Gerência de Assistência Clínica (Unidade de Pediatria) enviados à Gerência da Regional Sul, nos dias 11 e 12 deste mês. “Comunicamos a ocorrência de 2 óbitos durante o mês de setembro, dentre os pacientes internados que aguardavam exames por motivos não avaliados. Observamos a partir desses dados que a oferta está muito aquém da necessidade da regional”, diz um dos documentos que, apesar de ter sido assinado por três médicos pediatras e um ortopedista, não deixa claro se as mortes foram de crianças ou adultos.

SindSaúde DF

Uma tabela inserida no memorando apresenta uma fila de espera com 915 pacientes para fazer uma colonoscopia na Região Sul. O balanço mostra a existência de apenas 16 vagas disponíveis para o exame na Diretoria de Atenção Primária à Saúde (Diraps) no mês de setembro.

Em outro memorando da mesma gerência, com data de 12 de setembro, os servidores relatam a morte de outro paciente internado que aguardava na fila para fazer um endoscopia, também na Região Sul, no mês de agosto.

No documento, assinado por um pediatra e um ortopedista, a informação é de que a fila de espera para uma endoscopia na Região Sul chega a 2.110 pacientes e que nenhuma vaga foi disponibilizada em setembro, pois o “aparelho está quebrado há duas semanas” e não há previsão de retorno às atividades.

SindSaúde DF

Nos três casos de mortes, os pacientes internados não estavam inseridos no sistema, segundo o memorando. Estariam inseridos apenas na distribuição do sistema antigo da Secretaria de Saúde, manualmente, o que não inclui o paciente no complexo regulador.

Cardiologia

Um terceiro memorando, com data de 18 de setembro, e trata da demanda reprimida para consultas no ambulatório de Cardiologia. Segundo a Equipe Médica de Regulação da Região Sul, 399 pessoas aguardavam na fila, até a última terça-feira (18). Enquanto isso, as vagas disponíveis para setembro já estão todas preenchidas e somente 24 consultas foram agendadas.

No documento, a equipe sugere a liberação de 20 horas da carga horária de uma médica para realização das atividades de matriciamento, regulação e consultoria junto ao complexo regulador da Região Sul. “Ressaltamos que trata-se de necessidade urgente tendo em vista o elevado número de pacientes graves na fila de espera”, afirmam os médicos.

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Para a diretoria do SindSaúde, o que vem sendo feito na rede pública pode ser classificado como crime.

Quantas mortes mais Rodrigo Rollemberg vai esperar para fazer algo? Infelizmente muitas ainda vão ocorrer. Se não se preocupou com os pacientes antes, agora, quando está em plena campanha, vai ser impossível para o governador enxergar o povo que está dentro dos hospitais.

presidente do SindSaúde-DF, Marli Rodrigues

Para a sindicalista, a situação pode ser ainda pior. “O governador está fingindo que está tudo bem. Usa a saúde pública em sua propaganda eleitoral como se estivesse tudo a mil maravilhas. Talvez ele sequer queira saber a situação. Mente baseado numa gestão incompetente e que mata a população, persegue servidores e destrói o Distrito Federal”, finaliza.

Procurada pela reportagem do SindSaúde, a Secretaria de Saúde não respondeu aos questionamentos sobre mortes e filas de espera na Região Sul.