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Ponto A: conheça a “dobrinha” interna da vagina que pode te levar à loucura

Menos conhecido que o ponto G, o A pode proporcionar muito prazer para a mulher que gosta de penetrações profundas

atualizado 14/06/2020 13:33

Mulher na camaReprodução/ FreePik

Do ponto G a maioria das pessoas já ouviu falar. Contudo, o mapa de zonas erógenas do corpo feminino começa lá no início do alfabeto: no ponto A. Ele é uma fenda localizada no colo do cérvix, e fica entre a parede vaginal frontal e os nervos do colo do útero.

“O cérvix bloqueia a estimulação da área, o que faz essa zona ser extra sensível. Penetração ou mesmo um leve toque no cérvix é desconfortável para muitas mulheres, mas tocar o fórnix anterior pode produzir uma sensação imediata de prazer”, explica a ginecologista e sexóloga Ana Paula Junqueira.

A menos que você esteja ativamente procurando essas áreas, ou inserindo algo tão grande que o canal se expanda e tudo seja tocado, é muito fácil esses pontos passarem despercebidos.

Segundo a expert, a questão é controversa por diversos motivos e a região pode, sim, proporcionar sensações diferentes, mas não por ser mais irrigada ou ter mais terminações nervosas como ocorre, por exemplo, com o clitóris.

“O ponto A, na realidade, não é algo comprovado. A vagina é toda bem irrigada, bem vascularizada e não existe nada melhor que a região clitoriana em termos de sensibilidade. Anatomicamente, não se vê diferença entre essa parte e as outras”, afirma a profissional, ressaltando que, enquanto para algumas mulheres a estimulação dessa região proporciona um prazer diferente, para outras é algo incômodo.

Sentindo o ponto A

A ginecologista explica que, apesar de ser mais distante da entrada da vagina do que o ponto G, por exemplo, é, sim, possível alcançar o tal ponto A com os dedos. “Colocando, de preferência, dois dedos na vagina, você vai sentir uma coisa mais endurecida no fundo, que é a ponta do colo do útero. Você vai ver que a vagina não tem nada, só é um pouquinho enrugada, enquanto o colo do útero parece a ponta de um nariz”, afirma.

Prazer x incômodo

Ainda que não haja nada especial na região em termos anatômicos – como quantidade de terminações nervosas, irrigação, etc – essa é a área em que muitas mulheres sentem incômodo e até dor quando o pênis vai muito fundo durante a relação sexual.

De acordo com Ana Paula, a região não é responsável por dar mais prazer que outras áreas da vagina; ela é apenas mais um local que, assim como os grandes lábios, a entrada do canal vaginal e o ponto G , tem suas particularidades e proporciona sensações diferentes.

Junqueira justifica isso com o fato de que, quando a mulher passa por uma histerectomia – ou seja, tem o útero retirado – e deixa de ter a tal “dobrinha”, não se queixa de diferenças no prazer que sentem quando estimuladas nessa região mais ao fundo da vagina. A especialista afirma que alguns médicos até optam por deixar apenas o colo do útero quando faz esse tipo de cirurgia, mas que nunca viu um caso sequer em que a mulher passou a se queixar de falta de sensibilidade ou prazer.

Conforme explica a sexóloga, o prazer que muitas mulheres sentem não vem de um ponto específico, e sim da estimulação do fundo da vagina e da “movimentação” do útero proporcionada pelo pênis, pelos dedos ou por um brinquedo erótico. “Dependendo da posição do casal (e também do útero da mulher), o pênis pode ‘passar em frente’ ao colo do útero, gerando uma sensação que, para algumas mulheres, é boa”, ressalta.

Em algumas posições, porém, o pênis pode se “chocar” com o colo do útero, gerando o desconforto que faz muitas mulheres evitarem posições que permitem uma penetração mais profunda.

Posições para alcançar a região

Segundo a profissional, as melhores posições para quem curte a estimulação dessa área são as que envolvem a penetração profunda, mas as mais apropriadas dependem da posição em que o útero da mulher está.

“Imagine esse órgão como uma pêra de cabeça para baixo, com a parte mais ‘fina’ da fruta representando o colo”, ensina. Segundo Ana Paula, a maior parte das mulheres têm o útero antevertido, cuja parte maior da “pêra” é inclinada na direção do umbigo da mulher. Algumas, porém, possuem o chamado útero retrovertido, cuja parte maior da “pêra” é inclinada para o lado contrário.

“Em cada uma dessas posições em que o útero pode estar, o colo também se localiza em um ponto diferente e, sendo assim, as posições sexuais que funcionam para algumas mulheres podem não funcionar para outras”, complementa. O importante, de acordo com a médica, é conhecer a própria anatomia e testar as posições com o parceiro para decidir quais são mais confortáveis e prazerosas.

Sem obsessão

Apesar de muitas mulheres relatarem um nível superior de prazer quando estimuladas em algumas regiões do canal vaginal – seja ela o ponto G, o ponto A ou qualquer outra área específica –, a ginecologista afirma que não é uma boa ideia focar tanto em encontrá-los.

Segundo ela, para que a mulher sinta prazer durante a relação sexual, é necessário investir em um conjunto de práticas e adaptá-las ao gosto de cada casal, mas, acima de tudo, ela precisa conhecer bem o próprio corpo e relaxar. “A mulher tem de se conhecer. Mexa, sinta, não tenha vergonha, não tenha medo. Ela precisa estar sem vergonha na relação, aí se solta. Isso com estímulo oral, manual ou peniano, tanto faz, é um conjunto”, explica Junqueira.

A ginecologista também explica que, de forma geral, a parte anterior da vagina (a “frente” do canal) é uma região mais sensível a estímulos que a posterior, mas reforça que, mesmo que a mulher sinta prazer com a estimulação do ponto G ou do ponto A, a penetração não costuma ser suficiente. De acordo com a médica, o orgasmo feminino tem mais relação com o quão tranquila ela está e com a estimulação do clitóris de forma simultânea a outras práticas.

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