Broxada: pandemia afasta clientes e motéis do DF perdem 50% do faturamento

Setor tem esperança de recuperar movimento com a chegada do Dia dos Namorados. Higienização foi reforçada contra a Covid-19

atualizado 06/06/2020 21:19

Hugo Barreto/Metrópoles

Equivalente ao que o Natal e o Dia das Mães representam para o comércio, o Dia dos Namorados, no próximo dia 12 de junho, é fundamental para o setor hoteleiro do Distrito Federal. Normalmente, a data vem acompanhada de filas por reservas e vagas de última hora nos hotéis e motéis na cidade. Mas, neste ano, o dia chega com apreensão para os estabelecimentos. O medo do novo coronavírus já derrubou o movimento nos motéis e deve resultar em frequência menor do que em anos anteriores, na próxima sexta-feira, por conta da Covid-19.

Segundo o presidente do Sindicato Patronal de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares de Brasília (Sindhobar), Jael Antônio da Silva, a queda na frequência dos motéis da cidade, que foi de 60% no início da pandemia, hoje gira em torno de 40% e 50%. Tudo isso, mais por temor dos próprios clientes do que devido às medidas de restrição adotadas pelo governo, que não estabeleceu nenhum impedimento para que os motéis funcionem.

“Ainda não sabemos se os motéis farão promoções para atrair clientes. É um dia em que a procura é muito grande, acreditamos que o movimento será melhor do que em dias normais [desde o início da pandemia], mas não tanto”, aponta Jael Antônio.

Tentando atrair de volta os clientes às suas dependências, os estabelecimentos do DF têm adotado cuidados extras para que os ambientes estejam adequados ao uso. São vários os motéis que passaram a promover uma higienização mais rigorosa de quartos, banheiros, banheiras e apetrechos à disposição dos amantes. Além disso, os estabelecimentos não permitem a entrada de mais de um casal no mesmo quarto.

“O protocolo de segurança para motéis e hotéis tem cuidados de saúde. As recomendações são de se evitar o contato, incluindo os namorados que morem separados. Então, é importante seguir os órgãos de controle. Os cuidados devem ser redobrados por parte do cidadão. Por parte da rede hoteleira, eles estão sendo cumpridos”, assegura o presidente do Sindhobar. “O empresário tem a responsabilidade para o bom funcionamento”, ressalta.

Sem suruba

O reflexo da queda no movimento dos motéis foi sentido em diversos pontos do Distrito Federal. Em Ceilândia, a gerente do Ame Mais, Andreia Palazzo, lembra que sempre houve fila para o estabelecimento no Dia dos Namorados, pois o Ame Mais é um dos pontos de encontro mais tradicionais da região. Mas neste ano, segundo Andreia, a apreensão tomou conta de donos e equipe de funcionários.

“Este ano estamos apreensivos, mas esperamos que tenha um bom movimento, especialmente por que bares e restaurantes estão fechados e por ser uma opção mais segura. Muitos casais estão isolados, mas recebemos muitos casados. Será uma alternativa”, avalia a gerente.

A possibilidade de que Ceilândia, líder em registros de Covid-19 no DF, sofra um lockdown por conta da pandemia e o aumento dos casos em ritmo acelerado também são fatores que pesam para derrubar o movimento, na visão de Andreia Palazzo.

Desde o início da pandemia, o Ame Mais passou a proibir a entrada de mais de duas pessoas por suíte. A limpeza do lugar também tornou-se mais criteriosa, com base em protocolo que já era adotado, mas que foi reforçado desde os primeiros registros do novo coronavírus no DF. Com isso e aos poucos, diz a gerente, os clientes estão voltando: de março para cá, ela calcula que o local já recuperou 10% do movimento.

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Há amor na pandemia

A percepção de Andreia é um pouco diferente da de outra gerente, que trabalha em uma rede de motéis no Pistão Sul de Taguatinga. Sem se identificar, ela conta que o estabelecimento continua muito frequentado. Entretanto, para garantir a qualidade e segurança da assepsia das suítes, o número de quartos disponíveis ao público foi reduzido pela metade.

“Não achamos que houve uma redução no movimento. A procura continua bem próximo do que era antes, mas preferimos fechar metade dos quartos para melhorar a limpeza”, diz a mulher, lembrando que o estabelecimento tem boa localização – o que pode ter ajudado o local a manter boa frequência, mesmo em tempos de distanciamento social devido à pandemia.

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