Com mães infectadas por coronavírus, três bebês nascem saudáveis no Hran

Nos últimos dias, duas gêmeas já receberam alta. Na madrugada de sexta (08/05), Davi também veio ao mundo com bom quadro clínico

atualizado 08/05/2020 21:00

Bebês-nascidos-no-HRAN-4Material cedido ao Metrópoles

Os primeiros bebês de mães diagnosticadas com o novo coronavírus nasceram bem e saudáveis no Hospital Regional da Asa Norte (Hran), referência no Distrito Federal para o tratamento da doença: duas gêmeas e um menino. Embora ainda aguardem, por segurança, o resultado dos exames para Sars-CoV-2, os três estão sem sintomas e com boa avaliação, feita pela equipe pediátrica.

Gislaine de Souza Ferreira, de 31 anos, foi a primeira mãe, internada na quarta-feira (06/05). Em um parto de cesariana, ela deu à luz duas gêmeas: Helena e Elisa. Embora o teste de Gislaine tenha dado negativo para o novo coronavírus, a equipe médica da unidade suspeitou da contaminação após uma tomografia revelar o comprometimento respiratório. As bebês receberam máscaras de proteção criadas pelas enfermeiras da unidade.

Elas nasceram após 36 semanas e seis dias de gestação, com 2,38 kg e 2,30 kg, respectivamente. As meninas passam bem e, para descartar a presença do vírus, fizeram exames e aguardam o resultado em casa, ao lado do pai. Ele foi testado negativamente para a doença e orientado a realizar a quarentena, como medida de segurança.

Outro novo brasiliense é o Davi, nascido na madrugada de sexta-feira (08/05), com 2,93 kg. Mariene Silva Moreno, 28 anos, se internou no Hran sabendo que estava contaminada pelo coronavírus. Embora ela apresentasse sintomas leves, os médicos também decidiram realizar uma cesárea na nova mamãe e o pequeno nasceu com uma boa avaliação de saúde.

O bebê fez o teste para Sars-CoV-2 e aguarda o resultado. A expectativa dos médicos é de que mãe e filho recebam alta o mais rápido possível. Enquanto aguarda a liberação, Davi ganhou um equipamento de proteção facial contra uma possível contaminação no ambiente hospitalar.

Em casa, quem cuidará de Davi será o pai, morador de Planaltina, que testou negativo para a doença. De acordo com a equipe de especialistas, o tratamento domiciliar é o mais indicado para pessoas que apresentam sintomas leves da doença.

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Protocolo

De acordo com a equipe médica do Hran, os pacientes se tornam suspeitos de contaminação pelo novo coronavírus após uma avaliação criteriosa das condições clínicas. São analisados, por exemplo, sintomas gripais, como febre, tosse seca e perda do olfato.

Se algo for notado, é solicitada uma tomografia, além do teste específico para detectar o micro-organismo. O procedimento se torna recorrente pelo fato de os exames mais comuns – tanto o PCR quanto o rápido – apresentarem muitos resultados de falso negativo. Por isso, explicam, a condição clínica e o exame de imagem são fundamentais.

Com esse protocolo, a partir de então, os pacientes são classificados por cores: verde, amarelo, laranja ou vermelho. Os doentes considerados em situação verde ou amarela são encaminhados para acompanhamento e isolamento em casa.

No caso das cores laranja e vermelho, a orientação é a permanência no hospital, com monitoramento constante, especialmente nos sinais de instabilidade, como saturação de oxigênio no sangue. Quando esse último índice aparece abaixo de 93, os pacientes são mantidos em área com acompanhamento médico por 24 horas. Se preciso, passam a usar um respirador.

O pronto-socorro do Hospital Regional da Asa Norte foi adaptado para atender essa rotina. Atualmente, embora a taxa de internação esteja bastante alta, o número de pacientes em UTIs ou com respiradores ainda é considerado baixo: são mais de 120 doentes com Covid-19 internados na unidade, mas a taxa de ocupação dos respiradores é de 40%.

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