Denúncia diz que membros da PMDF “insuflam” tropa contra antifascistas

Presidente da Comissão, da CLDF, pediu que Comando-Geral da corporação investigue possibilidade de conflito por parte de agentes do estado

atualizado 04/06/2020 22:39

Divulgação

A Comissão de Direitos Humanos (CDH) da Câmara Legislativa (CLDF) pediu ao Comando-Geral da Polícia Militar, nesta quinta-feira (04/06), que investigue denúncia de que integrantes da corporação estariam incentivando violência contra manifestantes pró-democracia. Um ato com esse mote está marcado para domingo (07/06), a partir das 9h, na Biblioteca Nacional.

Segundo os relatos recebidos pela CDH, a corporação prepara um grande esquema de segurança para o dia, diferentemente do que foi feito nas últimas semanas durante atos pró-governo de Jair Bolsonaro (sem partido) e antidemocráticos – que pediam o fechamento do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Congresso Nacional.  Nos protestos em apoio ao governo federal, a PM tem acompanhado os eventos, sem tentar evitar a aglomeração de pessoas, o que contraria as medidas de restrição impostas durante a pandemia da Covid-19.

“Há um risco de que a tropa chegue ao local com ânimos acirrados e que, mesmo com um protesto pacífico, seja empregada violência excessiva. Isso tudo porque, de acordo com os denunciantes, membros da corporação estariam insuflando os policiais contra os manifestantes”, afirma o presidente da CDH, o deputado distrital Fábio Felix (PSol).

“De acordo com o que nos foi revelado, o planejamento para o ato de domingo é diferente do padrão adotado nas manifestações a favor do governo Bolsonaro. Estaria sendo montado um grande esquema de segurança com centenas de policiais militares, que não necessariamente estarão lá para garantir a ordem e a proteção dos presentes”, prossegue o parlamentar. “São graves as denúncias e exigimos que o governo adote as providências necessárias para garantir a segurança e a integridade dos manifestantes”, destaca Fábio Felix.

Entre as pautas apresentadas pelos manifestantes que se reunirão domingo estão o fim da violência contra a população negra, especialmente a periférica, e do encarceramento em massa. Os organizadores chamam o ato de protesto antifascismo.

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Outro lado

Segundo a assessoria de imprensa da Polícia Militar do Distrito Federal, a corporação “não tomou conhecimento do referido ofício [encaminhado pela CDH] e que, após sua ciência, conhecerá do seu teor e adotará as medidas julgadas oportunas”.

A corporação diz ainda que é uma “Polícia de Estado, trabalhando com informações que subsidiam seus planejamentos, sem levar, em qualquer grau de importância, o viés político, tão pouco a bandeira levantada por integrantes dos movimentos populares”. Por fim, a PMDF afirma ainda que todo o planejamento é feito por um colegiado local e federal.

A CDH manterá sua central telefônica funcionando no domingo para acolher denúncias sobre violência policial e outras violações que possam ocorrer durante o ato antifascismo. Os participantes podem encaminhar relatos, vídeos e fotos pelo WhatsApp (61) 99904-1681.

Protestos

Pelo menos 10 capitais no país têm atos contra Bolsonaro convocados para este fim de semana. Em Brasília, além do Unidos Pela Democracia Contra o Racismo e o Fascismo, que reunirá integrantes de torcidas organizadas de times de futebol, está marcada para ocorrer, também às 9h e em frente à Biblioteca Nacional de Brasília, a Marcha Antifascista, que tem como lema Esmague o Estado, Esmague o Fascismo.

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