Em meio a tensão com extremistas, PM compra R$ 900 mil em gás de pimenta

A justificativa são os estoques baixos após manifestações de "grupos anarquistas e organizados" e "black blocks"

atualizado 15/06/2020 16:50

PMs despejando gás pimenta em manifestantesMichael Melo/Metrópoles

Em meio à prisão de extremistas, ataques ao Supremo Tribunal Federal (STF) e fechamento da Esplanada dos Ministérios, a Polícia Militar do DF vai comprar mais gás de pimenta. No Diário Oficial do DF desta segunda-feira (15/06), a corporação anuncia a aquisição de 2,3 toneladas do produto a um custo de R$ 901 mil.

“No desempenho das atividades de policiamento em eventos reivindicatórios, esportivos ou culturais, a PMDF necessita de recurso de dispersão da turba agressiva, onde o espargidor lacrimogêneo evita que o manifestante se aproxime da tropa policial, o contato físico, e ajuda a dispersar os cidadãos que estão hostis e em prática de depredações ou de agressões físicas, restabelecendo-se a ordem pública sem, contudo, trazer ferimentos ou outra qualquer injúria física permanente aos participantes em confronto com a PMDF.”

Esta é a justificativa que consta no edital de registro de preço para a compra de gás de pimenta por parte da PMDF do mesmo tipo daquele utilizado na dispersão do acampamento chamado grupo 300 do Brasil em frente ao Ministério da Justiça nesse sábado (13/06).

Segundo a corporação, os estoques de spray estão baixos “devido à necessária e ampliada utilização nos eventos ocorridos no ano de 2013, como a Copa das Confederações, Dia da Independência, entre outros diversos eventos que resultaram na necessidade de restabelecimento da ordem pública”.

Ainda segundo o edital, “a Força Policial Militar teve que gerenciar os incidentes causados por determinado grupo de cidadãos enfurecidos e usando o exercício arbitrário das próprias razões”, e que acabaram “vilipendiando a sociedade e as leis que as regem”.

A PMDF já tinha feito uma primeira compra em dezembro de 2019, de 1,275 tonelada de gás por cerca de R$ 511,5 mil. O registro de preço com a empresa Condor, fornecedora tradicional de munições letais e não letais, foi feito com volume ainda maior, totalizando mais de 8 toneladas.

A licitação original é de 2018, mas houve questionamentos técnicos por parte do Tribunal de Contas (TCDF), e a PMDF fez revisão de artigos do edital.

Também houve aumento da quantidade nos equipamentos coletivos, que têm alcance de 3 metros contra 1 metro para os individuais, por causa das “novas formas de atuação dos movimentos sociais e ocorrências policiais, que, diariamente, são noticiadas nos meios de comunicação, sendo de conhecimento notório”, ainda segundo o edital.

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