Idosa internada após fraturar o fêmur contraiu Covid-19 no HRC, diz família

Filha contou que Secretaria de Saúde transferiu a paciente para Hospital de Campanha do Mané Garrincha e não comunicou familiares

atualizado 14/06/2020 14:44

Paciente idosaMaterial cedido ao Metrópoles

Parentes de Maria da Graça Alves Araújo (foto em destaque), 79 anos, afirmam que a idosa contraiu Covid-19 enquanto aguardava por cirurgia no Hospital Regional de Ceilândia (HRC). A paciente deu entrada na unidade pública de saúde após fraturar o fêmur.

Ao Metrópoles, a filha Tatiana de Fátima Alves afirma que o drama da idosa teve início em 14 de maio. “Ela estava internada após fraturar o fêmur, quando fizeram exames e viram que ela estava com nódulos no pulmão e precisaria tratar de uma pneumonia”, diz.

Diante do diagnóstico de dificuldade respiratória da paciente, um médico da unidade teria aconselhado isolá-la por suspeita de contágio pelo novo coronavírus. “Eu tentei explicar que ela já estava tratando a pneumonia antes de ser internada por conta da fratura. Falei que estavam colocando ela em risco”, detalha Tatiana.

A mulher diz que a mãe testou negativo para Covid-19. “Após o resultado, os médicos voltaram com ela para o pronto-socorro e continuaram com o tratamento, com antibiótico”, afirma.

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Covid-19

A filha, contudo, contraiu o novo coronavírus enquanto acompanhava a mãe no HRC: “Em 29 de maio, eu passei mal, decidi vir para a casa. Quando comecei a perder o paladar e o olfato, fiz o exame também para Covid-19”.

O resultado positivo para a doença saiu na segunda-feira (08/06). “Provavelmente eu peguei no hospital. Pacientes com Covid-19 estão sendo separados do restante dos pacientes por uma parede. Como tive contato com minha mãe durante o período, ela também contraiu coronavírus”, explica.

Em quarentena desde o resultado do exame, a filha conta que a direção do HRC transferiu a idosa para o Hospital de Campanha do Mané Garrincha e não comunicou a família da realocação.

“Eu só soube por cuidadores dela de que seria transferida para o Mané Garrincha. O hospital tinha como me contatar. Fiquei sabendo por boca de cuidadores [sic]. Agora ela está lá, com perna quebrada em um hospital que não tem ortopedista”, preocupa-se Tatiana. “E eu nem sei se estão sabendo que ela está com a perna quebrada. Ela ainda não fez a cirurgia”, acrescenta.

Com 173 leitos, o Hospital de Campanha do Mané Garrincha é destinado para pacientes menos graves do novo coronavírus. Com a idosa tendo sido internada sem conhecimento da família, Tatiana de Fátima Alves afirma que está “no desespero” para conseguir atualizações sobre o quadro de saúde da mãe.

Outro lado

O Metrópoles acionou a Secretaria de Saúde do DF (SES-DF) para comentar o caso. Por meio de nota, enviada apenas neste sábado (13/06), a pasta disse que a paciente em questão “foi avaliada pela equipe de ortopedia do HRC e constatou-se uma lesão no osso fraturado que sugere ter sido causada por uma metástase de câncer. Como o HRC não é uma unidade-referência em cirurgia ortopédica oncológica e o caso requer avaliação específica desta área, foi feito pedido de parecer para a equipe do Hospital de Base”.

Leia a nota na íntegra:

“A Secretaria de Saúde esclarece que a paciente M.G.A.A. foi avaliada pela equipe de ortopedia do HRC e constatou-se uma lesão no osso fraturado que sugere ter sido causada por uma metástase de câncer. Como o HRC não é uma unidade-referência em cirurgia ortopédica oncológica e o caso requer avaliação específica desta área, foi feito pedido de parecer para a equipe do Hospital de Base.

Como a paciente está com a Covid-19, ela recebe o tratamento enquanto se recupera da doença causada pelo novo coronavírus. O HRC passou a receber os pacientes graves da Covid-19 no pronto-socorro e, aqueles com condições clínicas menos graves, estão sendo transferidos para o Hospital de Campanha para se recuperarem da doença.

Até se recuperar da covid, ela permanecerá no hospital de campanha. Após a recuperação, ela será avaliada e, dependendo da avaliação, será transferida para o HB.

A equipe do hospital de campanha fez feitas várias tentativas para falar com a família da paciente e o celular informado não atende. Apenas na noite de ontem (12) que conseguiram falar com a filha dela”.

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