Médicas compram máscaras pela web, repassam dinheiro e levam cano

Após receberem o pagamento, os estelionatários dizem que vão enviar o código de rastreio, mas não dão mais notícias

atualizado 10/06/2020 12:10

Mascara de poteção em foco e mulher ao fundoFreePik

Responsáveis por uma conta em redes sociais que oferece máscaras, luvas e outros tipos de equipamentos de proteção individual são acusados de dar golpes em clientes. Compradores de pelo menos quatro estados, além do Distrito Federal, relataram ter enviado o valor relativo aos produtos e, depois disso, foram ignorados pelo perfil.

A médica Danielle Veldman, 25 anos, é uma das vítimas na capital do país. Preocupada com o estoque pessoal de máscaras cirúrgicas que estava no fim, ela viu um anúncio na rede social e se interessou. “Olhei o perfil da HSM e era bem-feito, tinha site e aparecia um CNPJ lá. Entrei em contato pelo WhatsApp e me responderam na hora”, conta.

Sem desconfiar, ela negociou duas caixas e transferiu o valor de R$ 85 à conta informada pelos estelionatários. “Assim que eu mandei o comprovante de pagamento, pararam de me responder. Ligo no telefone fixo e não me atendem. Só recebo mensagem automática”, lamenta.

Danielle pediu para que a mãe repetisse todo o processo de conversa, no intuito de verificar se o problema era apenas com ela. A história se repetiu. “A conversa evoluiu e, na hora que disse que estava pago, não visualizaram mais mensagem nenhuma”.

O que mais surpreende a médica é o fato de golpistas utilizarem a pandemia para se aproveitar de pessoas. “Não era algo que eu esperava. Estamos vivendo um momento tão delicado”, diz. Ela registrou um boletim de ocorrência para que a Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) investigue o caso.

Uma demanda também foi registrada na Ouvidoria do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) e será analisada.

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A também médica Luiza Tavares Ramos, 31, passou pelo mesmo processo. Moradora de Campos dos Goytacazes (RJ), ela chegou a fazer o pedido, mas achou estranho que o frete não era cobrado. “Mandei mensagem para eles e disseram que tinham o estoque. Fiz uma compra pequena, de R$ 72, e não recebi mais resposta”, conta.

Revoltada, ela criou um perfil no Instagram para denunciar os golpistas. “Saí mandando mensagem para os seguidores deles. Consegui identificar pessoas que estavam interessadas em comprar e avisei a tempo”, relata.

 

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De fachada

Apesar da aparência de site confiável, os golpistas utilizaram o nome, CNPJ e endereço de uma paulista que está parada há três anos, dado o falecimento do responsável.

Conforme conta Bárbara Machado, 24, filha do verdadeiro dono da HSM Equipamentos, foi uma surpresa descobrir que os dados estavam sendo utilizados dessa forma.

“Começou a aparecer muita gente no nosso endereço, onde abrimos uma nova empresa de equipamentos, e ficamos sem entender nada. Eles falavam que queriam retirar o que ficou combinado”, explica. Pessoas da Bahia, Ceará, Rio de Janeiro e São Paulo também entraram em contato.

Só após uma das vítimas mostrar comprovantes de pagamento e a conversa com os suspeitos é que a ficha caiu: estavam usando a empresa do pai dela para enganar as pessoas. “Já consegui tirar o site deles do ar e registrei um boletim de ocorrência aqui em São Paulo”, conta.

Ela ainda simulou dois pedidos no site, que solicitou pagamento para duas contas com dois titulares diferentes. Quando tentou contato e perguntou sobre os motivos de a empresa ter aquele nome, foi ignorada.

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A reportagem tentou contato por e-mail, telefone e WhatsApp com os responsáveis pela HSM Equipamentos que funciona de fachada. Até a última atualização desta matéria não houve nenhuma resposta.

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