Infração mortal: por dia, 2 motoristas bêbados são multados no DF

Combinação de álcool e direção resultou na morte de duas pessoas somente nesse fim de semana na capital do país

atualizado 27/01/2020 22:36

Reprodução

A combinação de álcool e direção foi mortal em dois acidentes ocorridos nesse fim de semana no Distrito Federal. A imprudência de dois motoristas embriagados tirou a vida do jovem Gabriel Jorge Neves de Jesus, 18 anos, morto após ser atropelado por um condutor bêbado enquanto trocava o pneu no acostamento da BR-020, próximo ao balão do Colorado.

Destino parecido teve o ciclista Jailson Barbosa, 34 anos, após cruzar o caminho de Luzia Ferreira de Assis, 24 anos. Ela estava bêbada, confessou ter usado cocaína, dirigia um carro com os pneus carecas e não era habilitada. Jailson foi pego de frente enquanto pedalava numa ciclovia entre Ceilândia e Samambaia.

Os órgãos de controle de tráfego não discriminam as causas dos acidentes mas, em 2019, 278 pessoas morreram nas vias do Distrito Federal, conforme dados do Departamento de Trânsito (Detran-DF). Os números da fiscalização também impressionam. No ano passado, 22.483 condutores foram autuados por embriaguez ao volante. Isso significa uma média de 61 motoristas que perderam a carteira por dia. Por hora, a média é 2,56.

“Nenhum apreço pela vida”

O delegado responsável por investigar o caso do ciclista, Gutemberg Morais, da 15ª Delegacia de Polícia (Ceilândia Centro), mudou a tipificação do crime de homicídio culposo – quando não há intenção de matar –; para doloso – quando se assume o risco. “Tem que ver a materialidade dos fatos. No caso dela [Luzia], nas condições em que ela e o veículo estavam, vimos que agiu com dolo, por tudo que já foi demonstrado. Além disso, não apresentou qualquer apreço pela vida humana ao assumir esse risco”, ressaltou Gutemberg.

De acordo com o policial, novos elementos podem resultar em um novo pedido de prisão contra Luzia, mas isso só será feito após a conclusão do laudo pericial, que vai indicar a velocidade média do carro dirigido pela mulher na hora da tragédia.

Atropelamento

“Destruiu nossa família.” Assim, Núbia Aparecida, 38, irmã do ciclista, resume o sentimento dela e dos demais parentes da vítima. Jailson morava em Brasília há mais de 15 anos. Pai de uma garotinha de 2 anos, era empregado da Rede Potiguar, como panificador. No momento em que foi atropelado, seguia para o serviço, em Ceilândia. “Ele trabalhava muito. Era pela filha dele. Falava que precisava defender o pão de cada dia”, contou a irmã ao Metrópoles.

Segundo Núbia, fazia algum tempo que o irmão caçula havia optado por sair todos os dias de Samambaia para Ceilândia de bicicleta. A preocupação com a saúde era o motivo. “Ele dizia que estava meio acima do peso, então, ia unir o útil ao agradável. Vendeu o carro e passou a pedalar todos os dias”, lembra.

Presa em flagrante, Luzia foi liberada após passar por audiência de custódia, fato que deixou Núbia indignada. “A juíza alegou umas atrocidades que, para mim, não fazem sentido. Infelizmente, uma pessoa dessas está em liberdade”, revolta-se.

Procurado, o Tribunal de Justiça do DF e dos Territórios (TDFT) diz não se manifestar sobre decisões judiciais. A Defensoria Pública, que atua no caso, também pontuou que “não se manifesta publicamente sobre a linha de defesa apresentada por investigados, a não ser que haja autorização destes”.

Morte no acostamento

Gabriel Jorge Neves de Jesus morreu logo após ser atingido por uma VW Amarok, conduzida por um homem que estava alcoolizado. O Corpo de Bombeiros chegou a ser acionado para prestar os primeiros socorros, mas Gabriel não resistiu aos ferimentos e morreu no local.

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