Crítica: animação coloca A Família Addams no subúrbio de hoje

Em tentativa de aproveitar o sucesso da franquia Hotel Transilvânia, desenho aposta na sátira urbana para atualizar personagens clássicos

atualizado 31/10/2019 11:29

MGM/Universal/Divulgação

Morticia, Gomez, Vandinha, Feioso e uma numerosa parentada de várias partes do mundo. Lembra deles? A Família Addams andava meio sumida da cultura pop. Marcante nos anos 1990, quando estrelou desenho para a TV e dois filmes nos cinemas, a sátira da “perfeita” família norte-americana ganha nova encarnação em 2019.

Querendo surfar na onda da franquia Hotel Transilvânia – três filmes, US$ 1,3 bilhão nas bilheterias –, a animação da MGM coloca a família macabra criada pelo cartunista Charles Addams no subúrbio de hoje.

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Após fugir de um linchamento algo medieval no interior dos Estados Unidos, com vizinhos furiosos segurando tochas e tridentes, os Addams se mudam para um município aparentemente tranquilo de Nova Jersey. Lá, encontram refúgio em um manicômio desativado – e assombrado por um espírito incapaz de assustar os novos moradores.

Mal sabe a família que ao redor moram habitantes tão bizarros quanto eles: gente de sorrisos estridentes em residências excessivamente coloridas e limpinhas, cada uma com esquisitices mui bem escondidas entre quatro paredes. Para completar, a líder da vizinhança apresenta um reality show de casas dos sonhos. Se você imaginou que logo, logo a madame vai jogar a comunidade contra os Addams, acertou.

Previsível e genérico

O principal exercício aqui nem é tanto tentar redefinir os personagens, mas posicioná-los em situações tipicamente atuais e comunicar com as plateias de hoje: gentrificação, bizarrices da “América profunda” e a bisbilhotagem impulsionadas por celulares. A bem-vinda lição, sobretudo para as crianças, é aprender a respeitar o espaço do outro.

Apesar de trazer na ficha técnica os diretores do desenho adulto Festa da Salsicha (2016), Conrad Vernon (Shrek 2, Magadascar 3) e Greg Tiernan, e um time peso-pesado de dubladores (Charlize Theron, Oscar Isaac, Chloë Grace Moretz), A Família Addams mostra personalidade visual digna de uma produção genérica televisiva.

Se a ideia era seguir Hotel Transilvânia, faltou exatamente alguém com a assinatura de Genndy Tartakovsky, diretor da saga e dono de traço inconfundível na televisão (O Laboratório de Dexter, Samurai Jack, As Meninas Super-Poderosas). É bem possível que a releitura não faça lá tanto sucesso, mas grana suficiente para possibilitar a sequência, já planejada para 2021.

Avaliação: Ruim

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