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Repressão a plebiscito na Catalunha deixa centenas de feridos

Com 73% das sessões abertas e sob forte chuva, catalães comparecem às urnas para votarem pela independência da região espanhola

ELIPE DANA/ASSOCIATED PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO
Mariana Rosa
 

O governo da Catalunha fala agora que há 465 feridos por causa de confronto com a polícia e a Guarda Civil, que tentam evitar ao longo de todo o domingo (1/10) o plebiscito sobre a independência da região da Espanha. Mais cedo, o número era de 337 pessoas machucadas. A atuação tem se dado, de acordo com o jornal El País, nos locais de votação da consulta pública, considerada ilegal pelo Tribunal Constitucional.

Desse total, dois estariam em condições mais graves: um ferido no olho com bala de borracha e outro idoso que sofreu um enfarte antes de uma ação policial para evacuar uma escola onde a votação estava ocorrendo. Balas de borracha não são mais usadas na Catalunha desde 2014, mas o policiamento da região foi reforçado com tropas de outras localidades da Espanha. Fontes da polícia informaram ao periódico que 90 pontos de votação foram fechados ao longo do dia.

O ministério do Interior da Espanha disse que 11 policiais ficaram feridos nas ações para impedir o plebiscito pela independência da Catalunha. Segundo postagens da rede social Twitter, entre os feridos estão nove membros da Polícia Nacional e dois da Guarda Civil.

O ministério também anunciou que 79 postos de votação foram fechados, de 2,3 mil autorizados pelo governo catalão, sendo 34 em Barcelona, e três pessoas foram presas.

As cédulas de votação continham a pergunta: “Você quer que a Catalunha seja um país independente em forma de república?”. A resposta é direta: “sim” ou “não”. Mesmo com a ação da polícia enviada da capital Madri, 73% das sessões estão abertas.

Caso o “sim” vença, em 48 horas o novo governo poderá declarar a independência da Catalunha. Uma miniconstituição está preparada e entrará em vigor de imediato.

Polícia
A repressão do governo central ao plebiscito de independência da Catalunha acontece porque a votação é considerada ilegal pelo Tribunal Constitucional. Os choques ocorrem em razão da intervenção de policiais da Guarda Civil e da Polícia Nacional, enviados de Madri, para impedir a abertura das seções eleitorais organizadas pelo governo regional catalão.

Em Madri, os manifestantes carregam bandeiras da Espanha e aplaudiram o envio de policiais para a Catalunha, por serem contra a separação.

Na maior parte da Catalunha, a votação não acontece normalmente porque a polícia vem apreendendo urnas, cédulas e materiais eleitorais. Os policiais também estão tirando de serviço sistemas informáticos que seriam utilizados no cômputo dos votos.

Em retaliação, os organizadores da consulta popular anunciaram no início da manhã aos indepedentistas e aos unionistas interessados em votar que seriam autorizados a fazê-lo sem a necessidade de títulos eleitorais ou de irem a seções específicas. Com isso, a lisura do voto, já questionada pelos opositores da independência, fica ainda mais prejudicada.

Cravos
Ao longo do dia, foram distribuídos cravos nos locais de votação para simbolizar a “liberdade pretendida”, numa ação inspirada pelos portugueses, que também distribuíram as flores em “25 de abril” de 1974, quando conquistaram a “Revolução dos Cravos”.

Catalães reportaram à imprensa local que manter a região ligada à Espanha é uma forma de repressão como a dos tempos do ditador Francisco Franco e que a pressão inclui a falta de respeito pela língua e cultura local. (Com informações da Agência Estado)

 

Confira vídeos que leitores do Metrópoles nos enviaram. Eles mostram a confusão nas ruas de Barcelona, durante o plebiscito na região catalã:


Na gravação abaixo, pessoas são arrancadas a força dentro da sessão de votação. É possível, inclusive. escutar alguns gritos.

 

 

 

 

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