Consumo de álcool compromete emagrecimento e ganho de massa muscular

Médica explica que beber com frequência causa redução da massa muscular e desaceleção do metabolismo

atualizado 10/06/2020 18:28

Reprodução

Quem pratica atividades físicas com frequência mas não abre mão de curtir o happy hour sabe que o desempenho no treino é diretamente proporcional à quantidade de doses ingeridas no dia anterior. Quanto mais álcool, menor a energia. Mas não é só na disposição que a bebida influencia: os resultados alcançados em emagrecimento e definição também costumam a ir por água abaixo.

De acordo com a médica e diretora da Associação Brasileira de Nutrologia, Marcella Garcez, além de consequências à saúde, ingerir bebidas alcoólicas regularmente influencia no desempenho físico, na redução do ganho de massa muscular e na diminução do metabolismo.

“O álcool deve ser evitado por pessoas que não exigem muito do corpo e, também, por aqueles que praticam atividades físicas com o objetivo de emagrecer ou de ter hipertrofia. Quem pratica exercícios e consome uma quantidade significativa de álcool com frequência apresenta uma deterioração da qualidade física. O álcool diminui a força, a velocidade, a capacidade cardiorrespiratória e a resposta muscular. Além disso, a substância prejudica também o equilíbrio e a respiração”, explica.

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Prejuízo do ganho de massa muscular

Segundo Marcella, o processo de ganho de massa muscular se torna mais lento por vários fatores. “O álcool afeta negativamente a síntese de proteína, processo no qual os aminoácidos são unidos para formar proteínas completas”, diz.

“Além disso, ele reduz os níveis de testosterona, hormônio mais importante para o fortalecimento dos músculos. As vitaminas A, C, as do complexo B, cálcio, zinco e fósforo, importantes para a construção muscular, também são drenadas mais rapidamente quando o álcool está presente no organismo”, acrescenta.

Redução do metabolismo

O fígado é o responsável por digerir as bebidas alcóolicas. Porém, esse mesmo órgão age no metabolismo de gordura. “Quando você ingere álcool, acaba adicionando mais uma tarefa na função do órgão. Dessa forma, seu fígado não consegue processar a gordura de maneira tão rápida e eficientemente pois estará, também, trabalhando para expelir o álcool. Como consequência, ocorre a desaceleração do metabolismo”, explica a nutróloga.

Hipoglicemia

A realização de exercícios físicos requer energia, que vem dos carboidratos e da glicose metabolizada pelo organismo. “Isso faz com que a atividade física, por si só, já promova uma diminuição da glicose no organismo. Com a adição do álcool, o fígado fica tão sobrecarregado em lidar com a substância que desliga a produção de glicose – acentuando ainda mais o déficit. Isso tudo faz com que o corpo comece a usar a proteína como fonte de energia, já que não há mais glicose suficiente no organismo, prejudicando o desempenho das atividades físicas”, alerta a médica.

Gatilho para má alimentação

 O álcool traz sensação de saciedade, já que é extremamente calórico. “Ele nos deixa suscetível a pular refeições e nos alimentarmos de forma desequilibrada”, analisa Marcella.

No dia seguinte ao consumo, o efeito é diferente. “O álcool estimula um aumento da galanina, substância presente em nosso cérebro que nos leva a desejar alimentos excessivamente gordurosos”, finaliza.

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