Yoga pode acabar com o TOC. Veja posturas simples para começar

Pesquisa científica recente constatou que a prática milenar pode ser tão eficiente quanto remédios no tratamento do transtorno mental

atualizado 28/02/2020 21:13

Organizar os livros em ordem alfabética, por cor e autor. Contar quantas vezes passa o sabonete no corpo ao tomar banho. Posicionar os móveis da casa alinhados a cerâmica. Lavar as mãos sempre que tocar em algum objeto. Soou estranho? Para quem convive com o Transtorno Obsessivo Compulsivo, esses rituais são perfeitamente normais.

Uma novidade da ciência, porém, promete acalmar a mente e mudar a vida de quem convive com o TOC: pesquisas recentes comprovaram que a yoga pode reduzir os sintomas da doença em até 50% e, até mesmo, fazê-los desaparecer.

Um estudo do Departamento de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) realizado junto a pesquisadores da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, constatou que pacientes com transtorno moderado ou grave tiveram redução de 40% nas crises após quatro meses e meio praticando kundalini yoga.

Entre os participantes observados, houve até quem se curasse do incômodo mental, comumente associado a quadros de ansiedade. No total, 48 pessoas foram observadas, e três delas relataram não ter mais a doença.

TOC: doença incapacitante

Geralmente, essa enfermidade é tratada com medicamentos antidepressivos, além de terapia clínica. O TOC, a quem não sabe, foi considerado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) o quarto transtorno psiquiátrico mais comum no planeta. É, também, a quinta causa de incapacitação em mulheres dos 15 aos 44 anos nos países em desenvolvimento.

O estudo recente teve entre os autores o professor de yoga Rodrigo Yacubian Fernandes, médico do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo. Os resultados foram publicados na revista Frontiers in Psychiatry.

A kundalini yoga

Difundida pelo indiano Yogi Bhajan desde sua passagem pela Califórnia (EUA) na década de 1960, essa modalidade de yoga se concentra no desejo de alcançar o “eu superior” por meio de uma conexão real entre o corpo e a alma.

Em muitos aspectos, se assemelha a yoga praticada em academias, com a diferença de que há a crença de que trata-se da forma mais sagrada de praticar. Em muitos lugares, as pessoas usam turbantes, como em um verdadeiro culto religioso.

Muitas asanas (posturas) podem ser praticadas em casa. Afinal, um dos princípios dessa modalidade é a crença de que “todos podem ser professores”.

“A yoga é o caminho para a saúde, o relaxamento e o bem-estar. Através dele, realizamos posturas físicas e mentais que funcionam como uma espécie de limpeza do corpo e da mente, removendo o acúmulo de tensão que gera estresse e ansiedade”, explica a instrutora Mariana Maccarin, professora e praticante de yoga há sete anos.

“O resultado é um cotidiano mais leve e uma vida mais saudável, além de um corpo forte e flexível, e uma mente positiva e atenta. Há posturas de yoga que são capazes de aliviar e até mesmo cessar alguns tipos de ansiedade. Além disso, com o yoga e a meditação você vai experimentar uma gratificante sensação de paz interior, além de se empoderar de uma energia inesgotável e de uma clareza mental única”, finaliza.

Para repetir em casa

Abaixo, veja posturas simples e que podem ajudar a aplacar os sintomas de TOC e outros quadros.

Postura da criança (balasana)

Benefícios: esta postura ajuda a relaxar o pescoço, ombros e a parte superior das costas de tensões. Além disso, acalma o sistema nervoso por meio da respiração estável e consciente.
Como fazer: ajoelhe-se no chão e sente-se sobre os calcanhares. Permita-se inclinar para a frente e relaxar. Você pode descansar seu peito em suas coxas ou espalhar os joelhos para os lados, mantendo os pés juntos e abaixe o tronco em direção ao chão. Os seus braços podem ser esticadas para frente ou para trás.

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Postura de criança

Postura do cadáver (savasana)

Benefícios: relaxamento e diminuição da pressão arterial.

Como fazer: parece simples, mas faz toda diferença se você seguir passo a passo. Comece deitando em um espaço livre. Se necessário, você pode modificar essa postura colocando um cobertor dobrado embaixo da cabeça ou uma almofada atrás dos joelhos. Coloque seus braços e pernas soltos para fora, em um ângulo de 45 graus, permitindo que os pés relaxem para os lados e as palmas das mãos para cima.

Perceba e relaxe cada parte do seu corpo, focando sua atenção na ordem a seguir: dedos dos pés, pernas, quadris, coluna, barriga, braços, ombros, pescoço, testa, olhos, língua e mandíbula e se concentre na sua respiração. Permaneça observando a respiração por cinco a 10 minutos. Quando levantar, observe o seu corpo e mente.

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Postura do cadáver

Postura do cachorro olhando para baixo (adhomukha svanasana)

Benefícios: Tonifica a barriga, desenvolve a flexibilidade das articulações, alonga os músculos posteriores das pernas e de toda a extensão da coluna e interromper um momento de ansiedade.

Como fazer: em pé, mantenha a coluna ereta. Deixe suas mãos descansarem ao longo de seu corpo. Faça uma inspiração profunda e enquanto você exala (solta o ar), dobre o corpo para a frente, colocando as palmas das mãos no chão, na largura dos ombros (para isso, pode dobrar os joelhos).

Deixe o rosto virado para baixo com seus olhos fixos no chão. Estique as pernas, colocando – um de cada vez – para trás, espalhando-as na largura dos ombros. Alinhe suas mãos e pés. Não dobre os joelhos e cotovelos.

Inalando profundamente, mantenha seu abdômen para dentro. Segure a postura por uma contagem de 15 respirações.

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Postura do cachorro

Postura metade do arco (ardha chakrasana)

Benefícios: libera tensões das costas. Expande a caixa torácica e promove a elasticidade dos músculos associados à respiração, ampliando a capacidade pulmonar. Estimula o sistema energético, nervoso, endócrino e o hormonal. Também ajuda no tratamento de alguns casos de depressão, de infertilidade e de impotência.

Como fazer: mantenha os pés juntos. Descanse as mãos ao lado da cintura. Os polegares devem estar apontando em direção à coluna. Entregando-se a uma inspiração profunda, levante os quadris, para o nível máximo possível. O nível ideal seria até sentir um pequeno formigamento na espinha. Permanecem nessa postura por uma contagem de 10 respirações lentas.

Tome uma expiração profunda e, em seguida, inale, e desça devagar até a posição inicial.

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Postura do arco

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