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A vida depois de… descobrir um câncer de mama aos 20 anos de idade
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No início do ano, Isabel Costa tirou o biquíni do armário para fazer um ensaio com um fotógrafo profissional. Ao conferir o resultado final, percebeu que uma de suas mamas estava estranha nas imagens. “Não levei muito a sério. Sou vaidosa e pensei ser coisa da minha cabeça”, revela. Mas semanas depois, ela começava uma nova jornada: seria diagnosticada com câncer de mama.

A jovem não procurou um médico imediatamente. Mas continuou sentindo que algo estava errado. Apenas em julho, ao apalpar a mama, sentiu um nódulo. Oito meses antes de descobrir o tumor, tinha passado por uma mastologista e nada parecia suspeito — ela fazia acompanhamento após uma cirurgia plástica para colocar silicone.

Isabel descreve a sua vida antes do diagnóstico como “perfeita”. “Reclamava muito de coisas pequenas. Hoje tenho motivos, mas não reclamo”, filosofa. A mãe da estudante costumava brincar que a filha precisava de 30 horas por dia, porque as 24 não bastavam. Agora, tudo tem outro tempo.

“Estava matriculada em seis matérias na faculdade de direito. Tive que cancelar tudo, atualmente só me dedico a três disciplinas — todas a distância. Fazia curso de inglês e planejava um intercâmbio ano que vem. Mas paciência, tudo mudou”, avalia.

O diagnóstico do câncer veio de um médico “agressivo”, como avalia Helenice Miranda Cunha, de 52 anos, mãe da jovem. “Ele foi desumano ao dar a notícia. Nem esperou eu me sentar no consultório. Ainda estava me vestindo após o exame e ele falou que era um câncer. Minha mãe não acreditava e eu também não. Fiquei bem desesperada”, conta a estudante.

Rafaela Felicciano/Metrópoles

 

Todo mundo fala que a gente passa pela negação, pela surpresa, pelo pavor e depois entra na aceitação. E realmente é assim. Quando recebemos o diagnóstico da biópsia, já tínhamos passado pela negação e estávamos entrando na aceitação, o mais horrível, entretanto, foi a forma como o médico nos comunicou"
Helenice Miranda Cunha

Para dar a notícia aos amigos, Isabel tomou um caminho criativo, tudo a ver com a personalidade dela: criou um grupo no WhatsApp. “Contei tudo em uma mesma mensagem, não queria narrar a mesma história mil vezes.

No começo, achei que tivesse os dias contados. Mas depois vi que o câncer não é uma sentença de morte"
Isabel Costa

A vida mudou com o diagnóstico. Não teve jeito. A jovem não tem mais o hábito de sair nem rotina certa: “Vou muito ao médico”, se diverte. “Não dirijo mais, minha memória também não é boa, mas tudo isso é temporário”, se conforta. Atualmente, Isabel passa por ciclos de quimioterapia, que deixam sinais pelo corpo dela. “Quando faço o tratamento, perco de três a cinco dias. Fico com muito sono, cansada e enjoada”.

A quimioterapia também afetou o cabelo de Isabel. “Os fios começaram a cair bastante no segundo ciclo, então cortei chanel. Depois da terceira sessão, o couro cabeludo ficou com muitas falhas, mas dava para manter com grampos e faixas. Na quarta, ele começou a cair de vez, então cortei bem baixo e depois raspei.”

Rafaela Felicciano/Metrópoles

A estudante sempre deixou muito claro sua vaidade. Ela brincava com a mãe que, se algum dia ficasse careca, ia precisar de muita terapia. Mas quando realmente perdeu o cabelo, não houve espaço para sofrimento. “Não fiquei triste, não tive sentimento nenhum quando os fios caíram. Na verdade, foi um verdadeiro alívio porque a cabeça ardia muito. Óbvio que não fiquei feliz, mas pelo menos estou confortável”, avalia.

Apesar da intensidade — física e emocional — do processo de tratamento, o que não falta para Isabel é determinação e positividade. “Não é fácil para ninguém. Mas ela é muito forte, surpreendentemente forte”, emociona-se Helenice. A jovem fala que sua mãe é a inspiração para seguir lutando. Além da família, a estudante encontra amparo em sua fé. “Acredito que as coisas acontecem por algum motivo, isso me conforta”.

Isabel também investe energia em seu blog, “Câncer aos vinte”. Nele, relata desde o diagnóstico, feito há dois meses, até as sessões recentes de quimioterapia. Ela explica os procedimentos médicos e traz sua perspectiva. “No começo, achei que tivesse os dias contados, mas depois eu vi que não é assim. Tem tanta gente em situação pior do que a minha. Sou muito privilegiada, tenho uma assistência médica boa e o apoio da minha família e dos meus amigos”.



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