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Nos Estados Unidos, a paixão nacional não é o futebol. Bom, até é, mas a versão americana do esporte. Conhecido apenas como “football”, o campeonato é o mais popular do país e uma parte importante na cultura dos americanos.

As cheerleaders (ou líderes de torcida, em português) também desenvolvem um papel fundamental e fazem parte do show que envolve o esporte. Muitas meninas sonham em crescer e participar de um grupo de líderes de torcida. E uma brasiliense conseguiu.

A educadora física Vera Lúcia, 24 anos, é a única brasileira no grupo do Miami Dolphins – time profissional de futebol americano, um dos 32 integrantes da National Football League (NFL). Em dezembro de 2015, a equipe organizou audições internacionais no Rio de Janeiro e a jovem não pensou duas vezes antes de se inscrever.

Ela desbancou outras 200 candidatas e prontamente se mudou para Miami. Mas, como o contrato é renovado anualmente, em 2016 precisou passou por nova prova. “A segunda vez foi mais tranquilo. Respondi algumas perguntas, participei de um desfile de biquíni, depois apresentei a dança solo e a feita em grupo”, lembra Vera.

Divulgação/ Miami Dolphins

Rotina pesada
As cheerleaders contratadas recebem salário fixo. Além disso, o time oferece casa para todas as meninas que não são americanas – quatro no momento. Viagens e qualquer gasto relacionado ao trabalho também são pagos pelo Miami Dolphins. A única coisa não incluída é alimentação.

Vera Lúcia garante que a rotina é puxada. As 30 meninas treinam cinco horas por dia, de segunda a quinta-feira. Nesse intervalo, elas ensaiam, aprendem coreografias novas e fazem exercícios físicos. Geralmente, os jogos são aos domingos a partir das 13h. Mas as líderes de torcida precisam chegar às 9h. “Além disso, nós participamos de sessões de autógrafos e fotos – precisamos estar sempre sorrindo. É bastante cansativo”, diz.

Divulgação/ Miami DolphinsAs appearances, como são chamados esses eventos extras, são pagas à parte e complementam a renda das meninas.

De acordo com o site Celebrity Net Worth, uma líder de torcida ganha entre R$ 3.400 e R$ 5 mil (US$ 1 mil e US$ 1.500) por mês. Mas o valor pode ser menor que isso. Alguns times pagam entre R$ 1.700 e R$2.500 (US$ 500 e US$ 750) pela temporada inteira. E outros optam por recompensá-las com cifras que variam de R$ 240 a R$ 500 (US$ 70 e US$ 150) por jogo.

Viagens fazem parte da rotina e entram na programação obrigatória. Desde a última semana, as meninas estão em Londres e ficarão lá até o início de outubro. “Era para a temporada ter começado no dia 10 de setembro em Miami, mas o furacão Irma atrapalhou um pouco e o jogo de abertura foi remarcado. Será na Inglaterra”, conta.

O novo contrato com o Miami Dolphins acaba em março e Vera Lúcia já pensa no futuro. Em Brasília, a educadora física tem um estúdio de pole dance e pretende continuar tocando o negócio. Outros projetos para 2018 também estão sendo desenvolvidos, mas ela prefere não entregar até que tudo dê certo. No momento, a líder de torcida curte a oportunidade e faz um balanço dos últimos dois anos como líder de torcida.

“Nunca achei que fosse ter essa experiência na minha vida. É totalmente diferente de tudo que já vivi. Aprendi muita coisa. Foi minha primeira vez morando sozinha, por exemplo, em um país longe do meu, com outros costumes e língua. Então, só tenho a agradecer, principalmente, o apoio dos meus pais. Está sendo incrível.”, fala animada.



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